| CIBERGUERRA
Na era das
ciberguerras
JOHN MARKOFF | The New
York Times
No recente confronto entre a Rússia
e a Geórgia, ataques à internet precederam
os bombardeiosO conflito entre Geórgia e
Rússia não só abalou o leste
da Europa nas últimas semanas, como também
inaugurou um novo tipo de embate: a guerra no ciberespaço.
Semanas antes de os primeiros tiros serem disparados,
um ataque contra a infra-estrutura de internet da
Geórgia já estava ocorrendo. Especialistas
em segurança dos Estados Unidos dizem que,
por volta de 20 de julho, houve o bloqueio de milhões
de pedidos simultâneos de conexão (D.D.O.S,
na sigla em inglês), que sobrecarregaram os
servidores do país.
Embora o governo
da Geórgia tenha culpado a Rússia
pelas investidas, a autoria dos ciberataques ainda
não está totalmente clara.
– Os russos
poderiam bombardear alvos mais estratégicos
e eliminar a estrutura física da internet
georgiana. A natureza do que ocorreu ainda não
está definida – pondera Gadi Evron,
especialista em segurança de rede que já
ajudou a evitar um ataque à infra-estrutura
de internet da Estônia.
Pesquisadores do
Shadowserver, um grupo voluntário que monitora
atividades maliciosas na rede, informam que o site
do presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili,
ficou fora do ar durante 24 horas por múltiplos
ataques do tipo D. D. O. S. em julho. Esse episódio
pode ter sido apenas um ensaio para a ciberguerra
que coincidiu com o bombardeio russo à Geórgia,
duas semanas atrás.
Conforme especialistas,
esta foi a primeira vez, mas provavelmente não
será a última, que um ciberataque
coincidiu com um conflito armado. Bill Woodcock,
diretor de pesquisa da Packet Clearing House, um
organização sem fins lucrativos que
acompanha o tráfego na web, afirma que ataques
via internet são tão baratos e deixam
tão poucos rastros que certamente farão
parte das futuras estratégias de guerra.
– Custa cerca
de US$ 0,04 por máquina. Fazer uma ciberguerra
equivale a encher o tanque de gasolina de um carro
– compara Woodcock.
O ataque contra
a Geórgia se espalhou por computadores do
governo logo após as tropas russas invadirem
a província da Ossétia do Sul, em
8 de agosto. Empresas de telecomunicação,
transportes e órgãos de imprensa foram
afetados, dizem os pesquisadores. As investidas
foram comandadas de um servidor baseado em uma empresa
de telecomunicações em Moscou, na
Rússia. No entanto, os ataques ocorridos
em julho partiram de um computador instalado nos
Estados Unidos, que depois foi desativado.
Conforme a Sophos,
um empresa de segurança digital britânica,
o site do Banco Nacional da Geórgia foi desfigurado.
Imagens de Adolf Hitler foram colocadas na página
juntamente com fotos do presidente Saakashvili.
A tática
de ataques para tornar um site inacessível
começaram em 2001 e foi sendo aprimorada
desde então em termos de poder e sofisticação.
Normalmente, essas investidas são executadas
por centenas ou milhares de computadores pessoais
controlados remotamente, tornando quase impossível
determinar a autoria da ação.
Para se ligar ao
resto do mundo via internet, a Geórgia depende
de conexões através da Turquia e da
Rússia. Na tentativa diminuir essa dependência,
com ajuda dos Estados Unidos, o país está
construindo uma rede de 1,4 mil quilômetros
de fibra óptica sob o Mar Negro, interligando
a cidade portuária de Poti a Varna, na Bulgária.
A previsão é de que a estrutura fique
pronta no próximo mês.
|