| SEGURANÇA
PÚBLICA – UMA QUESTÃO ESTRATÉGICA
André
Luís Woloszyn
Analista de Inteligência Estratégica
e Especialista em Ciências Penais.
Assim como a energia,
o meio ambiente e a tecnologia, a segurança
pública deveria ser considerada uma questão
estratégica para os governos, não
apenas por ser matéria constitucional –
“Art -144 Dever do Estado, direito e responsabilidade
de todos” - mas por tratar da vida humana,
do bem estar e do bem comum dos cidadãos,
além da proteção ao patrimônio.
Vivenciamos hoje, nas grandes metrópoles,
uma sensação de insegurança
permanente e as estatísticas criminais comprovam
nossos temores apresentando um crescimento vertiginoso
ano a ano. Assaltos, furtos e seqüestros ficam
banalizados quando o índice de homicídios
chega a 45 mil pessoas/ano (em quatro anos de Guerra
no Iraque calcula-se em 50 mil pessoas o número
de vítimas).
O problema da segurança tem raízes
profundas e suas conseqüências são
o resultado de décadas de descaso, ineficiência
do poder público e baixíssimo ou quase
nenhum investimento. A situação se
agrava com o aumento da densidade demográfica,
crescimento desordenado das cidades (dos 180 milhões
de habitantes, 134 milhões vivem em áreas
urbanas e deste número, 20% nas cidades de
São Paulo e Rio de Janeiro), imigração,
ausência do estado em determinadas regiões,
principalmente no que diz respeito à urbanização,
à saúde e à educação,
dentre outros fatores, que se constituem em ingredientes
que comprovam a ineficácia de programas governamentais
até então aplicados.
Estes fatores acabam resultando em um colapso nos
serviços públicos essenciais, no crescimento
de favelas nas periferias e centros urbanos com
conseqüentes danos ao meio ambiente, inexistência
de mercado de trabalho, desemprego, aumento nos
padrões de miséria e de pobreza absoluta
e péssima condição e qualidade
de vida. Daí a gênesis do aumento crescente
da violência e da criminalidade no Brasil.
Não obstante, o que vem chamando a atenção
de estudiosos é que esta ausência do
poder público além da insegurança
com o chamando crime tradicional, tem propiciado
o surgimento, nas grandes metrópoles, de
grupos ou milícias voltadas à delinqüência,
cujo grau de brutalidade e violência ultrapassam
os limites toleráveis. Dominam espaços
públicos, criam leis próprias em seu
território, cobram pedágios pelo “direito
de ir e vir”, planejam operações
do interior de penitenciárias e não
raras vezes decidem quem deve viver e quem não
merece tal regalia. Destes criminosos, muitos estão
nas ruas entre os 500 mil mandados de prisões
não cumpridos por falta de vagas no sistema
penitenciário ou amontoados junto a uma população
carcerária de 800 mil pessoas.
Outro dado assustador que vem sendo evidenciado
pelo estudo do perfil de alguns delitos é
o planejamento antecipado e cronometrado das ações
criminosas, com especialistas em levantamento de
locais, alvos, horários dos cidadãos,
melhor dia da semana, situação da
Polícia nos locais assinalados, dentre outras
informações e utilizando-se da tecnologia.
Por este contexto, a segurança pública
se constitui na atualidade, o maior problema brasileiro,
inclusive, com reflexos na economia e no desenvolvimento
do país. Permanecendo este quadro estaremos
observando de forma sistemática a desintegração
da ordem pública pois as soluções
propostas até o momento são pontuais
e paliativas.
Imaginem como se comportarão os índices
de violência e criminalidade no ano de 2010
quando a população brasileira, estimada
pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
–IPEA, será de 200 milhões de
habitantes com 166 milhões vivendo em áreas
urbanas?
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