Projeto
F-X2
Entrevista com Anatoly Isaikin
Diretor General da EEFU "Rosoboronexport"
sobre o Projeto F-X2
É
conhecido que no fim de Outubro o Brasil vai anunciar
o resultado do Projeto F-X2. Quais os seus comentários?
Sabemos
que no fim de Outubro deste ano é esperada
a decisão sobre os resultados da licitação
da Força Aérea Brasileira (FAB) dentro
do Projeto F-X2 para substituição dos
seus envelhecidos caças de vários tipos
por um novo modelo de aeronave. É prevista
dentro da licitação que até o
ano 2015 (primeira etapa) sejam adquiridos 36 aeronaves
multifuncão e na segunda etapa que vai até
2024 a produção conjunta no Brasil de
mais 84 caças. De tal maneira a quantidade
total dos aviões será 120 unidades.
Certamente que nós gostaríamos de vencer
essa licitação. Por isso o caça
Su-35, nossa super-aeronave russa foi proposta ao
Brasil.
Mas
na imprensa apareceu a informação de
que Rússia não está participando
nessa licitação. É isso assim?
Consideramos
que somos os participantes legítimos
dessa licitação. Dassault/França
com Rafale F3, Boeing/EUA com F/A-18E/F Block II e
a SAAB/Suécia com Gripen NG são os nossos
concorrentes.

Como
a proposta russa atende às exigências
da licitação?
Recentemente
Brasil adotou uma nova Estratégia Nacional
da Defesa. O documento prevê que no caso de
aquisição dos sistemas bélicos
modernos o pais vendedor do armamento deve transferir
tecnologia em várias áreas para permitir
a consolidação da “Base Industrial
de Defesa do Brasil”, assegurar a sua participação
direta na execução do programa, envolvendo
a capacitação de manutenção
em qualquer nível da complexidade da aeronave
e seus sistemas, a produção de todo
o armamento envolvido, permitindo desta maneira independência
de fontes estrangeiros.
Exatamente isso pode ser visto no processo seletivo
adotado nos requisitos do Projeto F-X2. O volume e
a profundidade da transferência tecnológica
foram declarados pelo Brasil como fatores decisivos.
Tomando isso em conta, nos preparamos e entregamos
ao Ministério da Defesa do Brasil nossa proposta
melhorada da cooperação tecnológica,
que atendeu completamente aos requisitos brasileiros.
Nossa proposta contém um grande programa da
transferência tecnológica que envolve
o ciclo completo da manutenção e reparação
da aeronave e seus sistemas no Brasil, incluindo a
produção do Su-35 no Brasil. Simultaneamente
nós declaramos que a transferência das
várias tecnologias envolvidas somente
pode ser limitada pela capacidade técnica e
financeira das empresas receptoras brasileiras.
Nos temos ainda uma grande vantagem em relação
aos nossos concorrentes, ou seja, a nossa experiência
real da transferência tecnológica para
produção das aeronaves Su-27 para China
e Su-30 para Índia.
Além disso, depois das conversações
realizadas no Brasil, ficou claro que hoje nós
podemos cooperar com empresas brasileiras nestes tipos
de projetos, como:
Um
pacote de programas de contrapartidas comerciais e
indústriais (offset) também é
parte da nossa proposta. O foco deles está
na transferência tecnológica. Vale a
pena mencionar que trabalhamos junto com empresas
brasileiras para realização de programas
similares como aqueles contidos no contrato para fornecimento
das aeronaves com asa rotativa Mi-35M para a FAB.
Essa é uma boa experiência para nós
e para o Brasil.
Gostaria de acentuar mais um assunto. O Brasil e a
Rússia são parceiros estratégicos.
Este fato foi declarado pelos Presidentes dos nossos
países. O projeto para fornecimento dos Su-35
poderia tornar-se como salto qualitativo no desenvolvimento
das relações russo-brasileiras. Por
isso a proposta da EFEU ROSOBORONEXPORT vem recebendo
suporte do senhor Dmitry Medvedev, Presidente da Rússia.
Quais
são as vantagens técnicas do Su-35?
Por
suas características técnicas e operacionais
o Su-35 supera significativamente todas as aeronaves
apresentadas pelos nossos concorrentes.
Nosso caça é mais veloz (2400 km/h em
altura de 11000m), tem maior relação
empuxo/peso, tem quase duas vezes maior vantagem no
alcance (3600 km sem tanques externos de combustível)
em comparação com aeronaves francesas
e suecas. O Gripen NG é equipado somente com
uma turbina, um fator que diminui significativamente
a segurança e a sobrevivência de aeronave
no combate. Já F/A-18 possui menor teto de
vôo.

Assim, o caça russo é mais adequado
para o Brasil com seu vasto território e fronteiras
terrestres e marítimas estendidas.
O Su-35 também apresenta superior eficácia
de combate. O caça pode levar 8 toneladas de
armamento, que é 1,5 vezes superior às
do Rafale e do Gripen.
Fator importante é a conhecida característica
supermanobrabilidade do Su-35 que drasticamente aumenta
as possibilidades de sucesso em combate. Os aviões
dos concorrentes não possuem essa característica
superior.
A cabine do piloto do Su-35 está equipada com
modernos meios de visualização da informação,
fator que facilita muito o trabalho de pilotagem e
permite ao piloto se concentrar exclusivamente no
comprimento das tarefas de combate.
A aeronave russa é equipada com novo radar,
que supera em 1.5–2 vezes os radares dos caças
concorrentes, mesmo no que concerne ao alcance e outras
características importantes.
É difícil acreditar, que com todas estas
características positivas, permitem simultaneamente
diminuir os gastos com a operação deste
avião, influindo significativamente no baixo
custo total do seu ciclo de vida. Ademais, com maior
alcance da aeronave se precisa menos bases aéreas,
bem como, com maior eficácia da aeronave em
combate a FAB precisará menos aeronaves para
o comprimento das missões.
Por estas qualidades o Su-35 entrou no serviço
da Força Aérea Russa. Na última
Feira Internacional MAKS-2009 ocorrida em agosto,
em Moscou, a Empresa Sukhoi e Força Aérea
Russa assinaram um contrato para o fornecimento de
48 Su-35.
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Qual
são outras vantagens da proposta Russa para
o Brasil?
Um
dos mais atrativos fatores é o preço
das nossas aeronaves. Nossas análise e experiência
em concorrência permanente com empresas da França,
dos EUA e da Suécia indicam que em comparação
com preços deles o preço russo é
significativamente baixo. A Comissão Gerencial
do Projeto F-X2 da FAB sabe bem desta diferença.
Então eu acredito que a nossa proposta atende
às exigências brasileiras em todos os
sentidos, por um custo total bastante atrativo. Foi
isso que nós tivemos em conta durante de preparação
da nossa proposta.
Pode
contar brevemente a historia da cooperação
técnico-militar entre o Brasil e a Rússia?
O
Brasil conhece muito bem os armamentos russos. Ainda
no ano de 1994 a Força Aérea Brasileira
e Exército Brasileiro adquiriram sistemas portáteis
antiaéreas de mísseis Igla de produção
russa. A propósito, o Igla está em uso
no Brasil até agora.
De 2003 até 2005 EFEU ROSOBORONEXPORT participou
na licitação da FAB para aquisição
de caças modernos e naquela altura teve grande
chance de vencer. Pelas avaliações brasileiras
o Su-35, por critérios técnicos era
o mais favorável. Nossa proposta de offset
também recebeu uma excelente avaliação.
Mas, em 2005 esta licitação foi cancelada
e agora renovada com requisitos diferentes para o
Projeto F-X2.
O ano 2008 foi marcado com assinatura do maior contrato
na historia da cooperação brasileiro-russa.
Este não é simplesmente contrato para
fornecimento dos modernos helicópteros de transporte
e combate Mi-35M para FAB, mas também é
o projeto da transferência tecnológica,
treinamento dos pilotos e técnicos, inclusive
os programas de offset. Agora a EFEU ROSOBORONEXPORT
junto com JSC ROSTVERTOL e outras organizações
russas estão trabalhando para realizá-lo.
Ministério da Defesa e as Forças Armadas
do Brasil mostram cada vez mais interesse no material
do emprego militar russo, tal como meios da defesa
antiaérea, material aeronáutico, simuladores,
material para o Exército, entre outros.
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O
Sukhoi Su-35 mostrando
mísseis ar-ar |