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Muito
se fala em defender a região do pré-sal
de ameaças,mas fica a pergunta: defender de quem?
Os analistas divergem. Daniel Filho, da UFJF, diz ver
só a Venezuela como uma ameaça real. “Se
resolver adotar uma política expansionista, Hugo
Chávez, presidente venezuelano, seria capaz de
atacar. Armas para isso ele tem”, afirma. “Ele
possui aviões Sukhoi, que são aeronaves
esplêndidas”. Também há preocupação
por parte dos militares com a reativação
da Quarta Frota dos EUA, no Atlântico. “Mas
aí é outra conversa. O Brasil não
tem nem como sonhar emenfrentar a capacidade deles.
Cada portaaviões americano leva mais aeronaves
que toda a nossa Força Aérea”, raciocina
Daniel Filho.
Já
Salvador Raza, professor da National Defence University,
analisa a questão de modo diferente. “Não
se protege o pré-sal contra uma ameaça
específica, sejam os EUA, a Argentina ou os marcianos.
É mais do que isso”. Para ele, o pré-sal
“será parte integrante de nossa matriz
energética, onde estará baseado todo o
crescimento do país. É nosso passaporte
para o futuro”, diz. Defender essa região,
portanto, seria a própria defesa da passagembrasileira
para uma condição desenvolvida.
Com
a intenção do país de agregar mais
1 milhão de quilômetros quadrados à
Zona de Exclusividade Econômica (ZEE), novas ameaças
também podem estar a caminho. De acordo com os
especialistas, é possível que outros países
não reconheçam uma eventual incorporação
dessa área – os próprios EUA ainda
não deramseu aval formal para a criação
da ZEE, em 1982. Em teoria, isso poderia fazer com que
companhias desses países criassem plataformas
situadas nos limites dessa região, para tentar
abocanhar um pedaço da extração
petrolífera, dando origem a um conflito comercial
com potencial pra lá de incendiário. “Um
fato é que, onde há petróleo, há
conflitos. É preciso estar preparado”,
conclui o professor Raza.
INVESTIMENTO
NAVAL
Conheça
os planos da Marinha para defender a região
dos poços de petróleo do pré-sal
-
Aquisição de 30 novos navios de
escolta
- Abertura de um estaleiro e uma base de submarinos
em Itaguaí (RJ)
- Compra de 4 submarinos convencionais
- Modernização de aviões
A-4 Skyhawk e P-2 Neptune
- Construção de um submarino nuclear
- Desenvolvimento do Sistema de Gerenciamento
da Amazônia Azul
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País
terá que desembolsar R$ 16 bilhões
por frota de submarinos
Valor
inclui compra de quatro aparelhos de desenho francês
e a construção no Brasil de um vaso
movido à energia nuclear
Marcelo
Cabral
A
defesa das plataformas de petróleo do pré-sal
não será feita apenas acima das ondas.
AMarinha planeja investir € 6,7 bilhões
– o equivalente a R$ 16,7 bilhões pelo
câmbio atual - para se equipar com uma série
de mortíferos predadores subaquáticos.
O objetivo é construir no país quatro
submarinos da classe Scorpène, a partir de tecnologia
fornecida pelo governo da França, ao custo de
aproximadamente R$ 1 bilhão por unidade.
Embora
movimentados pelo sistema convencional de propulsão,
conhecido como dieselelétrico, esses vasos são
dotados de sensores eletrônicos sofisticados e
cascos resistentes à alta pressão, que
os tornam muito superiores aos modelos atualmente em
uso pela força naval. Também entra nesse
orçamento um estaleiro e uma nova base de submarinos,
ambos localizados na cidade de Itaguaí (RJ),
para substituir o atual ancoradouro da Baía de
Guanabara.
No
entanto, a grande estrela do ProgramadeDesenvolvimento
de Submarinos (ProSub) é mesmo o submarino nuclear
brasileiro, por enquanto conhecido pela sigla SN-BR.Oobjetivo
é que esse aparelho – se concretizado,
a mais sofisticadamáquina já construída
na história do país – seja concluído
em 2021, ao custo de cerca de R$ 3,1 bilhões
de reais. Mesmo com o valor elevado, a Marinha afirma
que o preço será menor que o gasto por
outros países. Os EUA usaram R$ 10,2 bilhões
para criar o submarino da classe Virginia, enquanto
a França despejou R$ 19,5 bilhões no Barracuda.
No entanto, é preciso lembrar que ambos os modelos
são maiores, mais complexos e com maior capacidade
que o brasileiro.
Clube
de prestígio
Possuir
um submarino nuclear é, antes demais nada, uma
questão de prestígio. O clube dos países
com capacidade de projetar, construir e operar essas
máquinas é formado apenas por EUA, Inglaterra,
França, Rússia, China e Índia.
“O submarino nuclear é muito importante
do ponto de vista político. Sem dúvida,
pode ajudar na reivindicação do Brasil
por uma vaga no Conselho de Segurança da ONU”,
afirma Daniel Filho, do núcleo de Defesa e Pesquisas
Estratégicas da Universidade Federal de Juiz
de Fora.
Para
Salvador Raza, da National Defence University, nos EUA,
a importância do aparelho é mais grandiosa.
“O submarino nuclear é um fator dissuasório,
não uma arma de agressão. Neutraliza definitivamente
o conflito coma Argentina e catapulta o Brasil para
uma nova dimensão política. Ele possui
um valor simbólico muito maior do que sua capacidade
de combate”. Durante a Guerra das Malvinas, travada
em1982 entre Argentina e Reino Unido, a Marinha britânica
conseguiu intimidar as forças navais argentinas
apenas com a presença de um submarino nuclear,
que nem chegou a entrar em combate.
Por
outro lado, é possível que surjam horizontes
turbulentos no oceano do submergível atômico
do Brasil. Existem dúvidas se o valor estipulado
pela Marinha realmente será suficiente para colocar
em operação o aparelho. Não é
incomum que projetos similares estouremos limites orçamentários
em outros países. “Provavelmente o valor
passará dos € 7 bilhões. Será
preciso transferir inúmeras tecnologias para
a indústria nacional, e tudo isso sempre temumcusto
extra”, diz Daniel Filho. Já Raza defende
o projeto e diz que “se o Brasil quiser ser um
país grande, terá que pagar por isso.
Hoje temos plenas condições de fazer isso,
e também é possível diluir o custo
por várias décadas”, conclui.
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