África
do Sul e Brasil Procuram Relacionamento de
Longo Prazo com Programa de Mísseis
(texto em inglês)
Keith
Campbell
Correspondente DEFESA@NET em Pretoria
-AS
O programa conjunto
da África do Sul e o Brasil para desenvolver
o míssil ar-ar (AAM), de quinta geração
de guia térmica A-Darter, é para o
Brasil, a oportunidade de lançar um relacionamento
com a África do Sul. É também
um importante momento para o Brasil recuperar a
“expertise” que teve neste campo no
passado e perdeu.
“Nós
vemos como uma boa oportunidade para iniciar um
bom e duradouro relacionamento com um país
que é similar ao nosso em termos de tecnologia,
cultura e em quase tudo,” afirma o gerente
do Projeto do Míssil A-Darter pelo Brasil,
o Coronel Nelson Silveira. “Eu vejo como um
marco no relacionamento entre os dois países.”
Ele admite publicamente que os brasileiros foram
surpreendidos pelos avanços da tecnologia
da África do Sul.”
“Nós
tivemos uma forte indústria de defesa antes
da Guerra do Golfo (1991),” ele explica, sobre
a expertise brasileira. “Nós tínhamos
empresas fortes, desenvolvendo uma ampla gama de
produtos.” Entretanto, o setor era muito dependente
do mercado internacional, nos quais as empresas
brasileiras operavam naufragaram após 1991
(o Iraque era um importante mercado).
Com poucas encomendas
no mercado interno, o setor encolheu com muitas
companhias desaparecendo e outras sobrevivendo com
dificuldades. O conhecimento em muitas áreas
foi perdido. Os programas de desenvolvimento foram
suspensos ou avançaram de forma muito lenta.
“Nós
tivemos muitos anos sem a indústria ter avançado
de forma significativa,” ele completa –
e este é um setor onde o avanço no
conhecimento é mandatório para permanecer
competitivo. “O Brasil focou, entretanto,
o desenvolvimento de um programa civil de foguetes
espaciais. Então para nós este programa,
tem o objetivo de recuperar a tecnologia, que nós
tínhamos, mas perdemos.” Assim os brasileiros
estão trabalhando ativamente no desenvolvimento
do míssil, “para nós é
mais que um programa de transferência de tecnologia”,
ele afirma.
O grupo de técnicos
brasileiros que trabalham junto com os engenheiros
e técnicos da África do Sul, na DENEL
Dynamics, é composto por 35 pessoas: 15 membros
da Força Aérea Brasileira, e 20 pessoas
de empresas da área de defesa. As empresas
são: MECTRON, a “missile house brasileira,
responsável pelo programa nacional do míssil
ar-ar, guia térmica, MAA-1 Piranha, que equipa
atualmente os caças da FAB e que deverá
ser substituído pelo A-Darter. A equipe da
MECTRON é de 14 pessoas. Outras quatro pessoas
são da AVIBRAS, uma empresa com grande experiência
em motores de foguetes.
Completando o grupo
brasileiro estão dois técnicos da
Optoeletronica. Complementando a equipe há
os chamados “grupos espelho” localizados
no Brasil.
“Os técnicos
brasileiros passaram da fase de aprendizagem à
participação no desenvolvimento,”
relata Silveira. “O grupo da Força
Aérea Brasileira chegou primeiro, e está
totalmente integrado com o grupo da África
do Sul. O grupo da MECTRON seguiu, e foi rapidamente
integrado. As equipes da AVIBRAS e Optoeletronica
serão integrados tão rápido
quanto possível.”
O Projeto A-Darter
também é significativo para o Brasil
pois é o primeiro programa de tecnologia
de defesa que recebe fundos além do Ministério
da Defesa – também está sendo
financiado pelo Ministério de Ciência
e Tecnologia. O desenvolvimento do A-Darter permitirá
à Força Aérea Brasileira um
salto de toda uma geração de mísseis
ar-ar, passando da terceira para a quinta geração.
O programa tem sido
tão exitoso até o momento que o Brasil
está negociando com a África do Sul
participar do desenvolvimento conjunto do Veículo
Aéreo Não Tripulado (VANT), UAV na
sigla em inglês, Bateleur da Denel Dynamics
Bateleur. (Ver matéria
no DEFESA@NET)
O A-Darter não é o primeiro programa
de transferência de tecnologia da FAB. O Comando-Geral
de Tecnologia Aeroespacial (CTA), da Força
Aérea Brasileira foi estabelecido inicialmente
como Centro Técnico de Aeronáutica),em
1954, com o apoio do Massachusetts Institute of
Technology (MIT). A exitosa empresa EMBRAER e agora
totalmente privada iniciou como uma divisão
do CTA.
Fotos do A-Darter apresentado na LAAD
2007
Defesa
@ Net
O acordo para desenvolvimento conjunto do
míssil A-Darter, entre Brasil e a
África do Sul foi anunciado pelo
então Comandante da Aeronáutica
em 2005. o acordo andou de forma rápida
pela parte do Brasil disponibilizando os
recursos necessários em tempo recorde.
Porém dificuldades pelo lado da África
do Sul, entre elas uma profunda reestruturação
do Grupo Denel levou todo o ano de 2006
a um avanço mínimo no programa.
No
início de 2007 tanto o Grupo Denel
teve encaminhada uma solução
com a reestruturação implementada
pelo CEO
Shaun Liebenberg, como o aporte de recursos
do governo da África do Sul ao programa
A-Darter.
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