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Defesanet 23 Outubro 2007
ABVE
VEs - Veículos Elétricos
Sem previsão para disponibilizar VEs aos
consumidores, montadoras "pintam de verde"
os carros lançados nos salões

Rio de Janeiro sedia seminário e exposição de veículos elétricos dias 25 e 26

Embora as montadoras estejam utilizando os grandes salões e feiras de automóveis para anunciar carros mais eficientes do ponto de vista energético e menos poluidor, os chamados veículos ecologicamente corretos, por enquanto, não passam de conceitos e de estratégias de marketing da indústria automobilística. Pressionada pelos organismos internacionais para aderirem ao combate do efeito estufa no planeta, as montadoras apenas "pintam de verde" os automóveis - carros-conceito e protótipos -, considerando que não existe previsão - ou real intenção - de disponibilizá-los num curto espaço de tempo aos consumidores.

Por isso, a proposta da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE) é provocar a discussão sobre a necessidade urgente de combater a poluição ambiental, de uso da energia de forma mais eficiente e de substituir a utilização de combustíveis fósseis por outras formas de energia no VE 2007 - 5° Seminário e Exposição de Veículos Elétricos. O evento será realizado em parceria com o Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE) nos dias 25 e 26 de outubro, no Centro Cultural Light (Avenida Marechal Floriano nº 168), Rio de Janeiro.

"Independente da demora das montadoras em colocar no mercado os carros elétricos para o transporte de passageiros e cargas, existe mundialmente inúmeras iniciativas para adiantar este processo. Os governos do México, Nova Zelândia, Estados Unidos, França e Suíça, e estão exigindo a introdução de VEs no setor de transporte urbano das principais cidades, principalmente para a redução da poluição ambiental que gera sérios problemas de saúde na população. Os fabricantes que saíram na frente e os que entram agora no mercado anteciparam-se a uma nova realidade do setor de transportes que não tardará a expandir-se para o mundo todo", prevê o diretor-presidente da ABVE, Antônio Nunes Junior.

O seminário reunirá especialistas de vários setores para a discussão dos principais aspectos relacionados aos veículos elétricos, sejam a bateria, híbridos e a célula de combustível. O evento inclui palestras, painéis, mesa redonda e workshops para o debate sobre a quebra de paradigma que pode ser provocada com a chegada dos veículos elétricos ao mercado, revolucionando os setores automotivo, de transporte, energético e ambiental.

Sonho distante

"As montadoras anunciam carros ecologicamente corretos nas grandes feiras, mas é impossível encontrá-los nas listas de produtos à venda. Quando questionadas sobre os motivos pelos quais estes automóveis não estão nas lojas - e nem nas fábricas -, a resposta é sempre a mesma: eles apenas chegarão ao mercado em três ou quatro anos na Europa e nos Estados Unidos", protesta o diretor-presidente da ABVE, Antônio Nunes Junior.

Nunes ressalta que, para o Brasil, então, não há qualquer perspectiva. "Aqui, a estratégia das montadoras é, ainda, oferecer carros pequenos, convencionais e que utilizam o etanol (álcool, nos modelos flex), tão ineficiente quanto à gasolina em termos de eficiência energética (desperdiçam 87% da energia do combustível) e, também, poluidor", lembra.

Embora o álcool combustível apresente um saldo bastante positivo para o efeito estufa em relação à gasolina - já que os gases emitidos são compensados pela fotossíntese do replantio da cana-de-açúcar no campo -, o etanol polui no local onde é emitido e não resolve o problema da poluição ambiental dos grandes centros urbanos", explica Antonio Nunes Junior.

Veículos Elétricos no Brasil

Mesmo que a indústria de veículos elétricos ainda seja incipiente no Brasil, já são mais de 40 as empresas que comercializam ou produzem estes carros no país, de diversos tipos, portes e aplicações. A indústria nacional disponibiliza para o mercado ônibus e caminhões, bicicletas, scooters, motos, patinetes, triciclos, cadeira de rodas e carros elétricos para transporte de pessoas e cargas, além de empilhadeiras, rebocadores e veículos não tripulados.

Com exceção da Eletra (São Bernardo do Campo) e da Tuttotrasporti (Rio Grande do Sul), que produzem ônibus híbridos para o transporte de passageiros nos grandes centros, e da GPS, da Motor-Z e da Bramont, que fabricam motos elétricas para a substituição, no trânsito, dos modelos à gasolina altamente poluidores, as demais empresas que atuam no Brasil ainda atendem a nichos específicos, como hotéis, clubes e empresas.

"Se não houver uma política séria para este setor e que incentive o seu ingresso no Brasil, o automóvel elétrico para uso pessoal demorará mais de uma década para chegar ao país", estima Antônio Nunes.

Pressão Mundial

Enquanto o Brasil praticamente engatinha na direção dos veículos eficientes e pouco poluidores, vários países estão bem adiantados neste caminho. O governo mexicano, por exemplo, decidiu montar uma frota oficial, transformando 1.000 carros a gasolina em elétricos. Trata-se de num plano piloto para a redução de emissões de gases de efeito estufa e para a economia de combustível.

O governo conta com o apoio de entidades privadas e instituições acadêmicas. O projeto é motivado pelos graves problemas que o país enfrenta com relação aos altos níveis de contaminação ambiental, causadora de sérios problemas de saúde dos mexicanos.

Na Suíça, o governo apóia e estimula o emprego de meios inovadores em transporte em prol da melhoria da qualidade ambiental. Este ano, a Solaris apresentou o seu primeiro ônibus híbrido (diesel/elétrico) que circulará naquele país. As vantagens em relação ao ônibus convencional são a economia de 20% a 43% de combustível, os índices de redução de óxido de nitrogênio entre 10% e 39% e até 97% menos particulados emitidos.

Em Nova York, Estados Unidos, até 2012 a frota de 13 mil táxis deverá ser de veículos do tipo híbridos (de motor elétrico e combustão) para reduzir em 30% as emissões de dióxido de carbono até 2030. Pelas ruas de Nova York também já são 835 ônibus elétricos híbridos (OEH) operando no transporte coletivo urbano, em uma frota de 4.500 veículos.

Um grande número de cidades está seguindo o exemplo de Nova York, como Seattle, Toronto e São Francisco, que iniciaram a adoção do OEH como a solução mais limpa nos transportes públicos.

Na Nova Zelândia, a primeira ministra Helen Clark estabeleceu metas para a fabricação e oferta de carros elétricos no país. A chamada "Estratégia de Energia para 2050" pretende fazer com que nos próximos 42 anos toda a frota de veículos do país seja elétrica ou movida a combustíveis renováveis: até 2020 cerca de 5% dos carros serão elétricos, 25% utilizarão biocombustíveis.

Até 2050, cerca de 80% da frota deverão usar combustíveis renováveis e 25% dos veículos serão obrigatoriamente movidos à célula de combustível (fuel cell). Caso as metas sejam cumpridas, o país será o primeiro do mundo a adotar uma política ampla de combustíveis "alternativos" nos veículos para redução da emissão de gases poluentes no meio ambiente.

O que já existe de concreto

"As grandes montadoras estão deitadas no divã do psicanalista para decidir que caminho seguir", analisa Jayme Buarque de Hollanda, diretor-geral do Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE). A indústria japonesa, tendo a Toyota e a Honda como destaques, saiu na frente com os veículos eficientes no final dos anos 1990, enquanto as montadoras norte-americanas, como a GM, Ford, Chrysler, e as européias, como a VW, Fiat e BMW, preferiram apenas observar o movimento do mercado e aguardar a aceitação dos consumidores.

Hoje, tentam correr atrás do tempo perdido. A venda destes veículos deve atingir 350 mil unidades este ano apenas nos Estados Unidos, o que representa 2,3% de seu mercado. A projeção é um amento de 4,4% em 2010. Não é para menos. Naquele país, os híbridos foram bem aceitos e são imbatíveis entre os veículos considerados campeões de economia: dentre os 15 modelos que ocupam os 10 primeiros lugares da lista, estão 8 VEHs, incluindo o Honda Insight, o Toyota Prius, o Ford Escape Híbrido (modelos FWD e 4WD), o Mazda Tribute Híbrido (ainda não disponível para venda), o Mercury Mariner Híbrido, o Lexus RX 400h e o Toyota Hylander Híbrido.

Seis modelos a diesel fabricados pela Volkswagen estão nesse grupo dos 10 mais econômicos do mercado americano. O único veículo convencional a gasolina desta lista é o Toyota Corolla, de transmissão manual. Por isso, ao lado dos carros potentes e design arrojado dos grandes salões, começam a ter destaque os veículos elétricos, considerados ecologicamente corretos.

Até a Porsche, famosa pelos seus belos automóveis beberrões de combustível, ousou anunciar que produzirá o seu hibrido. Mas, somente para daqui a, no mínimo, dois anos.

Serviço:
VE 2007 - 5° Seminário e Exposição de Veículos Elétricos
Data: 25 e 26 de outubro
Horário: das 8:30h às 18h
Local: Centro Cultural Light - Avenida Marechal Floriano nº 168, Rio de Janeiro

http://www.ve.org.br

   
   
   
   
 

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