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22h30min

 

 


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Defesa@Net 28 Outubro 2009
CB 27 Outubro 2009


Mais ativismo de Lula em Cuba


Alon Feuerwerker


O governo fará bem se olhar para o tema de Cuba sem preconceitos. Aliás, Lula fez questão de reafirmar que nenhum movimento dele em política externa é movido a ideologia

O diário madrilenho El País transcreveu um diálogo entre o presidente democrata dos Estados Unidos, Barack Obama, e o colega espanhol, o socialista José Luis Zapatero. O assunto era Cuba, que entrou na pauta porque o chanceler da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, estava de viagem marcada para Havana.

Em resumo, o que o chefe da Casa Branca mandou Moratinos avisar aos dirigentes cubanos foi o seguinte: ou eles dão passos visíveis para abrir o regime, ou será complicado para Washington seguir no caminho da distensão.

O impasse cubano é simples de explicar. A cúpula em Havana quer relações econômicas normais com os Estados Unidos, para oferecer prosperidade à ilha e solidificar o poder do Partido Comunista. Já a Casa Branca topa avançar no caminho da abertura econômica, desde que acoplada a uma transição política que, lá na frente, conduza os cubanos a um sistema democrático, com a possibilidade real de alternância no poder.

Disso o PC não quer nem ouvir falar.

É óbvio que a Obama faltará em algum momento apoio político para uma distensão com os Castro se a estratégia atual não mostrar resultados. Daí que o presidente americano tenha sido claro na conversa com seu par espanhol.

E nós? Bem, na lista de assuntos a que a política externa brasileira assiste com passividade estupenda, Cuba ocupa uma das primeiras posições, junto com a ameaça de nuclearização regional (assunto já tratado aqui). A passividade vem embrulhada num ativismo de fachada, que diz buscar o fim puro e simples do bloqueio econômico. Sem contrapartidas. Pois, afinal, Cuba deve exercer plenamente sua soberania.

Mas o desenvolvimento da crise política em Honduras, desencadeada pelo golpe de Estado, mandou ao arquivo os princípios da não ingerência e da autodeterminação. E Luiz Inácio Lula da Silva está agora — vejam só! — diante de uma bela oportunidade: usar o capital acumulado e o novo ambiente de cooperação regional para ajudar Barack Obama a obter uma transição política negociada em Cuba.

Será o caminho mais curto para Lula ganhar o seu próprio Nobel da Paz. Desde, é claro, que nosso presidente considere que o melhor para Cuba é um regime plenamente democrático, com ampla liberdade de organização e expressão, e com o fim do monopólio do poder do PC.

Os defensores do governo cubano argumentam que operar essa transição sem garantias seria colocar em risco a soberania da ilha caribenha. E que o primeiro passo é simplesmente os Estados Unidos levantarem o bloqueio.

Talvez não seja uma posição realista, de alguns. Ou talvez embuta a ilusão, de outros, de que com a economia indo bem haverá um caminho para manter intocado o sistema político cubano.

Na conversa com Zapatero relatada pelo El País, Obama opinou que a América Latina vai bem, que está saindo satisfatoriamente da crise e que asinstituições democráticas se consolidam, com exceção naturalmente do caso hondurenho. Mas resta Cuba como um problema sem solução.

O governo Lula fará bem se olhar para o assunto sem preconceitos, deixando de lado o viés ideológico. Aliás, o presidente fez questão de reafirmar em sua entrevista mais recente que nenhum movimento dele em política externa é movido a ideologia.

Então, vamos aproveitar. E agir. Interessa ao Brasil que o impasse cubano seja um tema superado, uma página virada.

A guerra acabou

A eleição uruguaia vai para o segundo turno, entre o candidato da esquerda e o liberal. A novidade foi o crescimento da direita, ainda que ela tenha ficado fora da decisão. A esquerda, que já governa o país, é favorita para continuar no poder.

Mas os uruguaios não votaram só para presidente. Houve também dois referendos. A maioria rejeitou implantar o voto dos emigrados e também se recusou a anular a anistia para agentes do estado que cometeram crimes na ditadura dos anos 70-80 do século passado.

É um assunto interno do Uruguai, mas com reflexos continentais. E a decisão dos eleitores uruguaios é um serviço prestado à consolidação democrática na América do Sul.

Lá, como aqui, não é justo nem razoável impedir que familiares das vítimas da violência no período ditatorial saibam exatamente o que aconteceu com seus entes queridos e recebam a justa reparação. Mas esses são direitos privados, que devem ser reclamados no âmbito da Justiça.

Outra coisa, bem diferente, é querer reabrir um processo político já encerrado. Uma guerra civil que, como todas as guerras, esteve longe de ser bonita. E que felizmente acabou.

Defesa@Net

EUA divulgam detalhes de acordo militar com Colômbia - EFE
http://www.defesanet.com.br/04_09/al_bases_13.htm

U.S.- Colombia Defense Cooperation Agreement
http://www.defesanet.com.br/04_09/al_bases_11.htm

Remarks With Colombian Foreign Minister Jaime Bermúdez After Their Meeting
http://www.defesanet.com.br/04_09/al_bases_12.htm

Defesa@Net

Bases na Colômbia não são o que parecem - Folha de São Paulo - Ago 2009
http://www.defesanet.com.br/04_09/al_bases_9.htm

'Nuevas "bases de EEUU" en Sudamérica? - El Nueo Heraldo - Ago 2009
http://www.defesanet.com.br/04_09/al_bases_9_s.htm

Artigos da Série a Geopolítica do Cerco

1 - Entrevista com o Professor Moniz Bandeira diz que EUA têm "cinturão militar" em volta do Brasil - ABr 18 Jan 06
http://www.defesanet.com.br/notas/abr_mb.htm

2 - Estudo do Exército detalha presença militar norte-americana na América do Sul - ABr 18 Jan 06
http://www.defesanet.com.br/notas/abr_mb_1.htm

3 - Órgão dos EUA coordena estratégias político-militares para América do Sul - ABr 18 Jan 06
http://www.defesanet.com.br/notas/abr_mb_2.htm

Leia reportagem do Washington Times onde são mencionados o Prof. Sampaio, do Defesa@Net, e o Prof. Moniz Bandeira U.S. inroads raise alarm Washington Times 25 Out 06
http://www.defesanet.com.br/intel/crise_al_42_e.htm

Para uma descrição do US SOUTHCOM Acesse a apresentação do Defesa@Net de 2001, em versões português e inglês:

Português http://www.defesanet.com.br/southcom/port.htm
Inglês http://www.defesanet.com.br/southcom/eng.htm

     
 
 
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