Brasileiro
do Pentágono contesta
opções de caças para o
País
Salvador
Raza une-se ao coro de especialistas que defendem
a compra de novos armamentos por parte das forças
armadas brasileiras, mas é reticente
quanto às opções apresentadas.
"Eu defendo entusiasticamente esse plano
de compra, mas não necessariamente as
opções que são estudadas",
disse com exclusividade ao Terra. A opinião
de Raza tem peso: ele é diretor do Centro
de Tecnologia Relações Internacionais
e Segurança (Cetris) e professor da National
Defense University, em Washington - centro acadêmico
fundado pelo Departamento de Defesa dos EUA.
O
país deve comprar 36 caças Rafale,
da companhia francesa Dassault Aviation, que
competem em uma licitação com
os modelos Gripen NG, da empresa sueca Saab,
e os F-18 Super Hornet, da americana Boeing.
O Brasil também tem a intenção
de adquirir 50 helicópteros e quatro
submarinos, sendo um deles, possivelmente, de
propulsão nuclear.
Para
Raza, "a opções pelos submarinos
é acertada, do ponto de vista estratégico.
Quanto aos caças, não fico satisfeito
com a opção francesa nos moldes
oferecidos. Não quero dizer que não
é uma boa aeronave, mas não gosto
do modelo de gestão de tecnologia deles".
A
transferência de tecnologia é outro
ponto importante defendido pelo ministro da
Defesa, Nelson Jobim, que afirmou que o objetivo
é fomentar uma "capacitação
nacional" para o desenvolvimento.
"As
discussões no Brasil ainda são
sobre os equipamentos, que foi justamente o
erro venezuelano. É um assunto emocionante,
empolgante, mas é o que chamamos de 'assunto
de tenente', que analisa se a asa do avião
é maior ou menor, por exemplo. Não
é isso. O debate principal é sobre
a integração desses equipamentos
em doutrinas, sistemas de comando e estratégias,
e isso ainda foi pouco abordado", defende
Raza.
O
caso da Venezuela, citado pelo especialista
como exemplo de projeto mal conduzido, é
o que os profissionais da área militar
chamam de "booster frio" - uma injeção
de recursos materiais que não altera
em igual proporção a capacidade
de combatência do país.
Segundo
Raza, o investimento dos venezuelanos em armas
acabou não se transformando em poder
efetivo, além de ter aumentado o custo
de manutenção dos novos equipamentos.
No
entanto, o diretor do Cetris entende que o país
está no caminho certo e não acha
que possa haver um "booster frio"
brasileiro. "Acredito que temos gente competente
no País para fazer o projeto de força.
O problema é que está muito demorado
e já somos cobrados por isso. Estamos
em um processo contratual, as Forças
Armadas do Brasil estavam muito fracas em termos
de equipamento. O material já era obsoleto,
havia a necessidade de reciclagem", diz
Raza.