SAAB
se diz convicta de que Gripen será o
eleito
Diretor
da empresa argumenta que só o caça
sueco
não é um 'produto de prateleira'
Tânia
Monteiro,
BRASÍLIA
A
SAAB, empresa sueca fabricante do caça
Gripen, afirma que se convenceu de que será
a escolhida pelo Comando da Aeronáutica
para equipar a Força Aérea Brasileira.
"Oferecemos uma proposta que atende aos
itens da Estratégia Nacional de Defesa,
valorizando a transferência tecnológica
com participação no desenvolvimento
do projeto", disse o diretor-geral da SAAB,
Bengt Janér.
Ele
lembrou que o ministro da Defesa, Nelson Jobim,
tem dito que o Brasil não aceita mais
comprar "produtos de prateleira" e,
foi usando essa lógica que fez a opção
pelo submarino francês de propulsão
nuclear. "Seguindo esse raciocínio,
nosso produto é o que realmente oferece
condições de preencher todos os
requisitos da FAB, porque está em desenvolvimento
e é um projeto novo em fase de concepção.
Os outros dois já estão prontos.
São produtos de prateleira, exatamente
como o ministro Jobim diz que o Brasil não
quer", declarou Bengt.
"Essa
proposta é tudo que nós pilotos
sempre sonhamos. Participar do desenvolvimento
completo de um projeto, conhecendo cada passo
do desenvolvimento do avião", disse
o brigadeiro da reserva Fernando Cima, da Axxa
Consultoria, que assessora a Gripen. De acordo
com o brigadeiro, o Gripen tem "dez anos
de modernidade à frente de qualquer concorrente
e é mais eficiente, mais leve, mais econômico,
mais barato, oferecerá mais postos de
trabalho e é o único que será
verdadeiramente produzido na Embraer".
LOBBY
Na
reta final para o anúncio do governo,
a guerra de lobbies se acirra e a cada dia as
empresas concorrentes apresentam novos atrativos
para o Brasil no pacote de compra dos 36 caças,
avaliado em R$ 12 bilhões. O comandante
da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito,
informou que até o fim do mês a
avaliação pela comissão
da FAB estará concluída. Depois,
será apreciada pelo Alto Comando e encaminhada
para o Ministério da Defesa.
Janér
afirmou que a Suécia está se comprometendo
a estudar a possibilidade de adquirir entre
8 e 12 aviões KC-390, que serão
produzidos pela Embraer e ficarão prontos
em 2015. O KC-390 substituiria os oito aviões
Hércules que a Força Aérea
sueca possui e precisam ser trocados nos próximos
anos. Ele informou também que, como a
Saab é responsável pelo treinamento
do governo sueco, a empresa "se compromete
a usar o Super Tucano de Embraer para treinar
seu pessoal, adaptando-o ao Gripen". A
Saab quer ainda usar o cockpit do Gripen no
Super Tucano.
À
Embraer, a Saab oferece ser "coproprietária
do programa" do novo Gripen. "Será
uma parceria efetivamente estratégica,
compartilhando propriedade intelectual",
disse Janér, acrescentando que o projeto
sueco "é o único que oferecerá
propriedade e não apenas acesso ao código
fonte da aeronave porque o projeto será
desenvolvido em conjunto com a Embraer".
E emendou: "Nesse caso o domínio
da tecnologia é real porque vai ser desenvolvida
no Brasil, pela Embraer."
MERCADO
O
diretor-geral da Saab disse que nos próximos
20 anos pelo menos 2 mil caças serão
substituídos no mundo. "De forma
conservadora, poderemos ter pelo menos 10% desse
mercado, que significam 200 caças sendo
fabricados em conjunto com a Embraer",
declarou. Janér lembrou que antes de
o avião ficar pronto, ele já começará
a dar lucro para a Embraer porque as partes
produzidas no Brasil serão exportadas
para a Suécia, para equipar seus caças
Explicou ainda que isso acontecerá porque
"não haverá replique"
de partes da aeronave. Ou seja, haverá
partes da aeronave que serão fabricadas
no Brasil e outras, na Suécia.